«12 homens em fúria» de Sidney Lumet

12 angry menFilme do realizador Sidney Lumet, estreado em 1957, passa-se inteiramente numa sala de reuniões, onde deliberam 12 jurados, sobre a condenação de um jovem de 18 anos acusado de ter assassinado o seu pai. Henry Fonda, para além de desempenhar o principal papel, trabalhou também na produção do filme. Outros atores como Martin Balsam, Jack Warden, E.G. MarshallLee. J. Cobb desempenham o papel de outros jurados. Fotografia de  Boris Kaufman, cujos primeiros planos expressivos, têm uma presença marcante.

Vi este filme algures na minha adolescência, talvez no canal 2, e ficou sempre na minha memória. Tive agora oportunidade de o rever e para lá das dimensõe cinéfilas por certo comentadas em diversos locais, chamou-me a atenção o desenvolvimento do grupo – viés profissional que pretendo explorar aqui um pouco convosco.

Assim que a sessão do Tribunal termina, no início do filme, o juiz expressa as regras: a decisão terá de ser tomada em consciência e terá de ser unânime. O júri recolhe depois a uma sala e rapidamente é encerrado nela: a porta fecha-se à chave e ficam todos encerrados no espaço. Eis, pois, dois elementos iniciais: o isolamento do exterior e a obrigação de uma tomada de decisão por unânimidade ou dar o veredicto como inconclusivo.

O presidente do júri, num estilo democrático, tenta apresentar as opções para a tomada de decisão. Após uma votação preliminar, todos se apercebem que Henry Fonda é o único a decidir-se pelo “Inocente”, desencadeando um processo de reflexão do grupo, com atritos e resistências. O processo é aceite pelo grupo após uma proposta de Fonda: fazemos nova votação por voto secreto, se ninguém tiver mudado sentido de voto, aceito o veredicto de “culpado” e vamo-nos todos embora. O problema é que outro jurado vota “Inocente”.

O líder formal, por exemplo, deixa-o de o ser mais à frente. O grupo não pretendia pensar sobre a decisão mas ao fazê-lo deixa-se de se interessar pelas regras que esse líder pretendia impor. Teve de evoluir para outro estilo à medida que se todos os jurados adquiriam mais ou menos espontaneidade nas suas intervenções.

Fonda decide algumas questões e toma frequentemente a dianteira, mas nalgumas situações são outros jurados a seguir linhas de raciocínio e tomar a rédea do debate. O discussão sobre os acontecimento e os testemunhos vai lançando os jurados, um por um, na dúvida… Emerge ainda um líder isolado entre os que o consideram o réu culpado. É céptico e a sua argumentação fortemente estruturada. Por fim, a sua resistência é também vencida.

Sobra apenas um resistente e Fonda usa a pressão do grupo para exigir que se explique… Trata-se de uma curiosa inversão da dinâmica até então dominante: até então eram os que assumiam a escolha de “Inocente” que se tinham de explicar.

Interessante também é o facto da evolução da não aceitação de opiniões diferentes, para uma dimensão de aceitação e de trabalho conjunto. Enfim de um estado de não grupo inicial para um outro, esse sim, que se pode denominar de grupo. Finda a discussão os laços dissolvem-se e cada um regressa à sua vida desconhecida de todos os jurados que só se conheceram na sala.

A ver, seguramente…

(imagem obtida aqui)

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