Sobre as memórias

idoso

As estátuas, as moedas foram também, entre muitas outras coisas, formas de criar memória. Em tempos antigos isso era um privilégio exclusivo dos ricos e dos poderosos. Só eles é que podiam mandar-se esculpir ou pintar; só eles poderiam ser objeto de uma lisonjeira crónica de um escriba submisso.

A evolução tecnológica popularizou estas possibilidades à população em geral. Assim, calcula-se que as memórias de uma família durassem no máximo quatro gerações. A invenção da fotografia e até mesmo a alfabetização permitiram a criação de novos suportes de armazenamento da informação.

Quem não se lembra das cassetes ou vídeos VHS? Quem não tem álbum de infância? Fotografias reveladas a partir de negativos.

Ultimamente tudo mudou… parecem não existir limites… Podemos tirar inúmeras fotografias, efetuar vários filmes sempre que nos apetecer, mas… e depois quantas vezes os vemos? Ou, de outro modo: quantas fotografias ou filmes possuímos em suporte material?

Parece que o excesso teve, pelo menos nalguns aspetos, efeitos contraproducentes. Deixámos de produzir formas de criar memória na sua materialidade. Chega-nos a pen ou o disco externo como recordação?

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