Daytripper

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Aviso aos apreciadores da nona arte: Daytripper está neste momento à venda em alguns quiosques portugueses! Mas irá desaparecer rapidamente…

Aviso feito! Esta novela gráfica foi publicada inicialmente nos EUA como uma minissérie de 10 números pelo extinto mas famoso selo Vertigo da DC Comics. Reunida num único volume, foi um êxito comercial e ganhou alguns dos mais invejados prémios da nona arte (Eisner, Harvey e Eagle, entre outros).

Ou não fossem os gémeos Fábio Moon e Gabriel Bá brasileiros, a obra viria a ser publicada no Brasil pela Panini, sendo graças a esse feito que a versão brochada (e não a cartonada) é agora distribuída nos quiosques portugueses com um papel cuidado.

Quando nos deparamos com elogios de autores consagrados como Jeff Smith, Paul Pope e Terry Moore impressos na edição e uma introdução ilustrada por Craig Thompson, rapidamente nos apercebemos que Moon e Bá já não se limitam a um nicho de seguidores. De facto, já se passaram mais de 15 anos desde o primeiro número do fanzine 10 Pãezinhos. Há mais de uma década, eu aproveitava as minhas idas ao Brasil para encontrar as suas publicações mais underground e as edições publicadas pela Via Lettera. Só mais tarde, com a Devir portuguesa a funcionar em pleno, começaram a chegar ao burgo via importação algumas edições de Moon e Bá editadas na congénere brasileira…

Mas os jovens foram-se tornando trintões e a maturidade como autores não demorou a chegar. Este é, sem dúvida, o seu trabalho mais interessante publicado nos EUA – após algumas edições na Image e Dark Horse. É difícil lê-lo e ir ficando indiferente com a leitura. Provoca sentimentos – nem sempre agradáveis – ao leitor. Não é pretensão que se leia sobre mas sim que se viva a vida… e a morte. Somos visceralmente obrigados a engolir o efémero, enquanto percorremos uma montanha-russa. Se algures adivinhamos o que acontecerá na próxima página, duas depois rumamos num sentido completamente diferente, mantendo a descoberta permanente, sem que percebamos se realmente estamos a palmilhar o terreno do realismo mágico ou não.

Influenciados, entre outros, pelas obras de Machado de Assis (e o delicioso Memórias Póstumas de Brás Cubas) e José Saramago (Ensaio sobre a Cegueira, Intermitência da Morte), o livro causa inquietude. Acredito que muitos leitores se vão questionar o que poderiam ou deveriam estar a fazer, bem como se tentem aperceber em que ponto o seu percurso divergiu dos seus sonhos e se ainda vão a tempo de alcançar algumas ambições. A ler, antes de morrer.

NPS

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