Fun Home – Uma tragicomédia familiar

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Ao arrumar o Comprimidos Azuis, apercebi-me que ainda não escrevi neste espaço sobre uma tragicomédia familiar intitulada Fun Home. Esta obra de Alison Bechdel foi a segunda grande novela gráfica publicada pela Contraponto, chancela da Bertrand, após Persépolis. Se Persépolis contava com o filme homónimo e uma publicação parcial no nosso país, Fun Home não gozava por cá do mesmo estatuto ou popularidade, apesar dos prémios obtidos lá fora.

Por outro lado, um dos temas abordados na obra, tanto poderá atrair alguns leitores, como afastar outros tantos. Mas, não será assim com qualquer tema? Neste registo autobiográfico, a autora propõe-se a descobrir quem realmente foi o seu pai – um livro dedicado à mãe, inédito em Portugal, foi publicado o ano passado – e que implicações isso tem na sua autodescoberta.

A simplicidade aparente da narrativa permite uma imersão imediata numa rede complexa de relações e acontecimentos, dimensionados física e psicologicamente, nas quais a escrita, literatura, diálogo, silêncio, aproximação, isolamento, descoberta, sexo ou morte – ou o título não fosse um trocadilho com o negócio familiar, uma agência funerária – se vão sucedendo. Afinal, esta é a vida segundo Bechdel…

Como fui sugerindo, a homossexualidade da autora e do seu pai afastarão alguns leitores e atrairão outros. É pena. A sobriedade das reflexões de Bechdel revelam uma maturidade invulgar, sendo as opções sexuais apenas um dos ingredientes que não deveria ter um valor intrínseco que não o da constatação.

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