“a caça de amor é de altanaria” – Gil Vicente

De arte venandi cum avibus_ Ms_ Pal_ Lat_ 1071, Biblioteca Apostolica Vaticana

o caparão cobre os olhos
de um negro primordial:
é desse lugar que  nasce
toda a história. é o próprio
espectáculo do mundo, a sua
luz, que  desperta os sentidos
e faz com que as asas se abram.
agora é apreciar o  voo de espera,
a sabedoria de destrinçar,
no pequeno novelo do agora,
o  agir e o adiar; o desprezo,
a súbita precipitação.
o falcão preia no ar a  ave
que insistia na inocência azul
assim o coração dos homens
e das  mulheres é ferido pelo
amor… o resto não é tão
visível: as garras  extraem
do corpo vencido a ternura,
provocando inconsciência.
não se  percebe então por que
motivo o falcão regressa ao punho,
entrega a  presa,
recebe de novo, no caparão,
o breu do esquecimento.

Tenho participado com alguns textos de vária ordem, desde pequenas histórias, crónicas originais ou republicadas e poemas na Revista Literária Brasileira Letras et Cetera.

Confira aqui.

Imagem emprestada daqui.

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