Comprimidos azuis

Eu sei, eu sei… O título levou-os a pensar que ia escrever sobre disfunção erétil. Não vou, mas podem continuar a leitura pois este texto terá também uma forte conotação sexual!

Comprimidos_AzuisNa Europa Ocidental, Portugal continua a apresentar das mais elevadas incidências de infeção por VIH. E há quem esteja preocupado que a situação se agrave com a atual emigração massiva da população portuguesa para países com uma prevalência muito superior de habitantes infetados pelo vírus.

Apesar de todos estes dados, o VIH abandonou as manchetes dos jornais há já alguns anos, à medida que o controlo terapêutico e a cronicidade do síndrome se instalou.

Não deixa, portanto, de ser curioso ser este o momento para a Devir publicar a novela gráfica Comprimidos Azuis de Frederik Peeters no seu selo Biblioteca de Alice. Tal como o volume anterior da coleção – Blankets de Craig Thompson – trata-se de uma obra de ficção com um importante componente autobiográfico. Aliás, a vertente ficcional é sublinhado pela editora na ficha técnica quando reforça que não pretende em nenhuma circunstância aconselhar ninguém em termos de saúde. Ou seja, se o leitor se tornar portador de VIH por ter relações sexuais sem preservativo com alguém portador, a editora não assume nenhuma responsabilidade.

Há também outra ressalva na ficha técnica: os protocolos médicos atuais diferem dos referidos no livro. Sim, o original já tem 12 anos… Este facto torna a obra irrelevante? De todo. O livro, que relata a relação do autor com Cati, uma mulher seropositiva, mãe de uma criança seropositiva, aborda temas que se mantêm completamente atuais, ou não pretendesse retratar a vida – a piedade, a compaixão, o amor, a paternidade, o medo da morte…

Se adicionarmos a estes ingredientes o retrato da vida sexual em que apenas um dos companheiros é portador de VIH, obtemos um livro obrigatório em qualquer bedeteca que se preze.

O 100mural não se responsabiliza se a leitura deste livro o tornar uma pessoa melhor.

NPS

Anúncios