Parca cinefilia fevereirense

Sim, fevereiro é o mês mais curto do ano. Mas, certamente, não se deveu a tal, mas sim ao excesso de trabalho, o parco número de filmes a que assisti no mês passado.

1) EM DESTAQUE

Os Descendentes (2011) de Alexander Payne é mais um dos ricos filmes de Payne, embrulhado num papel interessante q.b. para ser aberto sem que o espetador se aperceba da profundidade a que será sujeito (será este o método para ter muitos espetadores?). Felizmente, a trama motora – a venda familiar de uma grande extensão de terreno no Havai – rapidamente se torna um pretexto secundário, centrando-se a estórias nas personagens. Famílias desfeitas, famílias a desfazerem-se, familiares importantes outrora mas não no presente, amigos que substituem a família próxima… E a iminência da morte  de uma esposa e mãe. O protagonista da estória tenta descobrir o seu caminho em como lidar com o luto antecipado num momento em que descobre que a esposa o traía. Algures, o amigo da filha mais velha, explica-lhe que a maneira de que eles se apoiam um ao outro, é através do escapismo e não de eventuais conversas sobre o seus reais problemas. Sem que se aperceba, é isso que faz também este viúvo anunciado, concentrando-se nos desvios tortuosos antes de estar apto a enfrentar toda a situação. A fotografia tem momentos de mestre, com a cena da filha mais velha debaixo de água, a tentar escapar da iminente morte da mãe, a ficar na história do cinema.

2) MENÇÕES HONROSAS

A Dama de Ferro (2012) de Phyllida Lloyd mostra-nos mais uma estória repleta de analepses e prolepses. No entanto, estas técnicas narrativas imprimem um ritmo que beneficia toda a estrutura, com a premissa de que tudo se trata de recordações avulsas de uma octogenária Margaret  Thatcher. Mais importante do que uma reflexão política sobre a primeira-ministra britânica entre 1979 e 1990 – as consequências da sua política estão quase ausentes da narrativa -, temos direito não só a uma viagem no tempo à Grã-Bretanha dos anos 50 a 80 do século passado, como a presenciar os efeitos na demência no seu quotidiano. E há quem diga que é obrigatório ver a interpretação de Thatcher por Meryl Streep.

E, quase 30 anos depois, tive a oportunidade de rever Os Caça-Fantasmas (1984) de Ivan Reitman. Nem todo o filme envelheceu bem – é sempre um problema quando se depende de efeitos especiais – mas a originalidade do registo, explica-nos como este filme originou uma franchise que continua popular atualmente, com direito, além dos 2 filmes, a séries televisivas de desenhos animados, uma quinzena de videojogos, um romance e múltiplas séries de banda desenhada, além de um forte merchandise.

3) LISTAGENS DE INDIFERENÇA:

“Quase, quase que não gostava” de:

Green Zone: Combate pela Verdade (2010) de Paul Greengrass.

4) A EVITAR:

Não consegui encontrar nada que me interessasse em:

– Os Caça-Fantasmas II (1989) de Ivan Reitman;
The Legend of Mor’du (2012) de Brian Larsen.

NPS

 

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