ELOGIO BARROCO DA BICICLETA

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Redescubro, contigo, o pedalar eufórico pelo caminho que a seu tempo se desdobra, reolhando os beirais – eu que era um teórico do ar livre – e revendo o passarame à obra.

Avivento, contigo, o coração, já lânguido das quatro soníferas redondas almofadas sobre as quais me etangui e bocejei, num trânsito de corpos em corrida, mas de almas paradas.

Ó ágil e frágil bicicleta andarilha, ó tubular engonço, ó vaca e andorinha, ó menina travessa da escola fugida, ó possuída brincadeira, ó querida filha, dá-me as asas – trrim! trrim! – pra que eu possa traçar no quotidiano asfalto um oito exemplar !

(Alexandre O’Neill)

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