Metragens novembristas

Novembro de 2012 já terminou há algum tempo. Foi um mês especial no que toca a apostas em cinema, pelo que o número de filmes a que assisti foi superior ao meu habitual. Talvez tal tenha contribuído para um número apreciável de filmes que distribuí pelas categorias a destacar e em menções honrosas.

1) EM DESTAQUE

A Elegância do Ouriço (2009) da francesa Mona Achache foi o filme que mais me cativou pelas suas personagens singulares e complexas, sem que o fio condutor revele demasiado sobre si mesmo, o que permite com que nos surpreendamos de quando em quando sobre o rumo que a estória toma. Sem que tenha lido o livro homónimo – mas tendo ficado muito curioso quanto ao mesmo – apenas me posso referir à obra quanto à sua existência na sétima arte. Tenho a certeza que não esquecerei tão cedo a Paloma, a menina cuja clarividência sobre a sua vida familiar, lhe tira a vontade de viver, sendo Okuro e Reneé  – e um certo peixe dourado – que, quase por acaso e sem que se apercebam, lhe ensinam o quão bom é estar vivo.

Os Três Enterros de um Homem (2005) de Tommy Lee Jones é um daqueles filmes que nos vai conquistando, sem dificuldade, à medida que vamos embrenhando na narrativa e nos seus recuos e avanços temporais. Alguns dos fatores que contribuem para que tal aconteça são a qualidade das representações, o próprio argumento e a cativante fotografia. A disfuncionalidade das personagens é o padrão, fazendo-nos facilmente acreditar estarmos perante a norma.  E as surpresas reservadas para o final são uma vera chave-de-ouro…

O filme francês Welcome – Bem-Vindo (2009)  de Phillipe Lioret aborda de uma forma inteligente e sensível o tema da migração, ao seguir o período de vida de um jovem rapaz curdo iraquiano em situação irregular em Calais, a cidade francesa mais próxima de Inglaterra, separada daquele país por 34 km de mar. O seu propósito, tal como o de muitos migrantes ilegais, é chegar a Inglaterra e, por acaso, inicia uma relação de amizade com um instrutor de natação francês. O filme suscita uma reflexão filosófica importante sobre estas migrações, em especial no que toca às consequências judiciais que poderá ter para os franceses se prestarem alguma ajuda humanitária a estes clandestinos.

Tenho de confessar que pouco reconheci de David Cronenberg n’ Um Método Perigoso (2011). Das três personagens históricas que o filme retrata, a mais interessante é a da russa Sabina Spielrein, a primeira mulher psicanalista. No entanto, a relação entre Carl Jung e Sigmund Freud é também interessante de ver representada. E o pequeno papel dedicado ao austríaco Otto Gross é um extra que se elogia…

Caminho Para Casa (2002) de  Jeong-Hyang Lee é um daqueles filmes que tem tudo para cativar o grande público. Com um enredo extremamente simples, o mal-educado menino da cidade adquire uma nova perspetiva de vida quando vai viver com a avó numa zona muito rural com condições muito precárias. E se acrescentarmos, a nível internacional, o toque exótico de ser um filme sul-coreano, ainda mais sucesso se prevê para o mesmo. E assim foi… Mas, a verdade, é que nos fazem falta mais filmes assim…

Quanto ao filme irlandês Ondine (2009) de Neil Jordan, o que mais me interessou foi a fabulação infantil da pequena Annie contaminar por completo o seu pai. Faz-me interrogar o que é necessário acontecer para que alguém aceite a fantasia como um elemento real no nosso mundo…

Em pleno destaque, está também 48 (2010) de Susana de Sousa Dias. Em primeiro lugar, pela coragem de nos fazer encarar o tema difícil da tortura exercida ao abrigo do Estado Novo, mais concretamente pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado). Trata-se de um passado ainda recente da nossa história, o que permitiu à realizadora recolher testemunhos de portugueses que foram torturados. Deste modo, o filme mostra fotografias dos mesmos aquando das detenções, enquanto se ouvem os seus relatos. Foi essa a estratégia da realizadora e há que congratulá-la pela força da solução encontrada.

2) MENÇÕES HONROSAS

Existiram ainda 4 filmes que quase ficaram na categoria anterior, mas, por uma razão ou por outra, acabou por tal não acontecer. No entanto, merecem, em pleno, uma menção honrosa e direito a trailer:

Anticristo (2009) de Lars von Trier:

A Era dos Ignorantes (2007)  de Denys Arcand:

Entre Irmãos (2009) de Jim Sheridan:

A Sombra do Samurai (2002) de Yôji Yamada:

3) LISTAGENS DE INDIFERENÇA

E chegou o momento de revelar quais os que “gostei mas não tanto assim”:

When You’re Strange – Um Filme Sobre The Doors (2010) de Tom DiCillo;
– Geração Fast Food (2006) de Richard Linklater;
Hannibal – A Origem do Mal (2007) de Peter Webber;
Lara Croft: Tomb Rider (2001) de Simon West;
Wasabi – Duros de Roer (2001) de Gérard Krawczyk;
Carlos (2010) de Olivier Assayas.

E “quase, quase que não gostava” de:
Homens do Soul (2008) de Malcolm D. Lee;
Escola de Homens (1996) de Ridley Scott;
Uma Vida Insegura (2005) de Stéphan Guérin-Tillié;
Lara Croft: Tomb Rider – O Berço da Vida (2003) – Jan de Bont;
A Mulher Invisível (2009) de Cláudio Torres;
– 2080: Amor Cibernético (2003) – Byung-Chun Min.

4) A EVITAR

O saldo do mês de novembro foi extremamente positivo com 11 filmes a fazer as minhas delícias e 12 a terem os seus momentos. No entanto, existiram 2 que em nada me cativaram:

Um Crime por Dia (1958) de John Ford;
Atividade Paranormal 3 (2011) de Henry Joost & Ariel Schulman.

Em breve, escreverei sobre os filmes que visualizei em dezembro…

NPS

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