A NFC tornou videojogos mais dispendiosos

A NFC, near field communication (comunicação de campo próximo) está cada vez mais presente nos smartphones e tablets. O propósito desta tecnologia é simples – permitir transações simplificadas, troca de dados e conexões sem fio entre dois dispositivos próximos um ao outro. Por próximo, entende-se alguns centímetros (cerca de 4 cm ou menos), não metros, sendo os seus protocolos baseados na identificação por radiofrequência (RFID).

Na prática, a tecnologia tem tido cada vez mais aplicações, na esfera económica (pagamento móvel) e na social (partilha de contactos, fotos, vídeos ou ficheiros), entre outras.

Não tardou muito para que se pensasse como se poderia utilizar esta tecnologia nas consolas. E assim surgiu, em outubro de 2011, o jogo Skylanders: Spyro’s Adventures, desenvolvido pela Toys for Bob e publicado pela Activision para as principais consolas. Os personagens são bonecos que se colocam num leitor de NFC, a quem chamaram “portal do poder”. Além da exploração do conceito até à saturação dos bonecos “ganharem vida” – colocam-se no portal e surgem no jogo para serem controladas pelo jogador – esta tecnologia permitiu ainda algo inovador. A informação relativa àquele boneco específico fica gravada no próprio boneco (por exemplo, a experiência e dinheiro obtidos, bem como os acessórios nele colocados). Isso gera que cada boneco seja único e ajuda a alinhar na fantasia de os bonecos ganharem vida…

O facto da informação ser gravada em cada boneco gerou ainda outro atributo original. Se se utilizar os bonecos noutras consolas – independentemente de quais forem – eles mantêm toda a sua informação.

Destinado às crianças e adolescentes, o jogo cativou a atenção dos adultos e dos colecionadores. Dos adultos,  porque, além da tecnologia, há alguns desafios paralelos um pouco mais difíceis e muitos áreas secundárias que podem ser descobertas. Com 32 personagens diferentes (leia-se bonecos), variações dos mesmos num número apreciável em edições exclusivas de uma ou outra loja, armas e localidades extra à venda, tornou-se também alvo dos que se dedicam às coleções, com os mais raros a já terem atingido valores como 1000 euros no ebay.

O sucesso do jogo não se fez esperar. Em 2012, foi o videojogo mais vendido a nível mundial, tendo até março de 2012 sido vendidos mais de 30 milhões de bonecos. O merchandise seguiu-se com roupas, livros de ficção ou de ctividades, sacolas e caixas para armazenar e transportar os bonecos, peluches ou bonecos de construção,entre muitos outros.

Um ano mais tarde, chegava um novo jogo às lojas, Skylanders: Giants, com 40 novos bonecos, além das variantes exclusivas e afins.

No segundo jogo, o final dá a entender que irá haver um terceiro jogo (pelo menos…). Sairá em outubro? São boas notícias para mim e o meu filho, pois jogamos o jogo em conjunto, em cooperação. Mas estes são, sem dúvida, os videojogos mais caros do mercado. Gostava de sublinhar que não é necessário comprar nenhuns bonecos adicionais aos que vêm com o jogo para chegar ao fim do mesmo. Mas que jogadores e/ou pais de jovens jogadores conseguem resistir a comprar mais alguns, nem que sejam para explorar áreas secundárias (além dos que desejam completar a colcção?)?

Entretanto, a Disney parece ter-se empenhado em dar a machadada no orçamento familiar destinado a videojogos, ao ter anunciado a sua resposta aos Skylanders, com um jogo de mecânica semelhante, com dezenas de bonecos compráveis, desenvolvido pela Avalanche Software. O meu filho está a contar os dias para o seu lançamento, em junho…

NPS

 

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