A web 2.0 facilitou a nossa relação com as máquinas?

utilizadorRecentemente, fui convidado a dar formação em áreas a que me tenho dedicado nos últimos anos, nomeadamente a literacia em saúde e o marketing social em saúde. O convite era aliciante pois desejava-se que, tendo por base os recursos de que os funcionários públicos do ultimamente tão badalado Sistema Nacional de Saúde dispunham nos seus postos de trabalho, se pudessem construir projectos naquela área.

A verdade é que os recursos são escassos, entre os sites que estão bloqueados e a ausência de permissão para o utilizador instalar programas no computador no seu posto de trabalho. E, apesar da formação se dirigir a coordenadores de unidades de saúde, posso garantir que ultrapassar essas dificuldades não é um processo simples e rápido, pelo que me concentrei nos recursos disponíveis e nos objectivos que se pretendiam, de modo a serem atingíveis.

Além de outros recursos disponíveis nos computadores, utilizei parcialmente como paradigma o site com formato de blog  sersaúde (escrevi sobre o site e a web 2.0 noutro espaço, que pode ser lido aqui) e, no final desta formação teórico-prática com recursos a tecnologias de informática e comunicação (TIC), fui brindado com projectos interessantes.

Como escrevi no texto citado, as ferramentas Web 2.0 não exigem que os utilizadores das mesmas tenham grandes conhecimentos em informática. Dependendo da ferramenta, os que disponibilizam novos conteúdos na internet poderão ter que saber um pouco mais, embora não necessariamente na área de informática.

As competências de utilização de produtos informáticos mudou completamente na última década. Há uma dúzia de anos, era relativamente comum na minha área existirem formações básicas para utilização do Microsoft Word ou de correio electrónico. Refira-se que a maioria dos profissionais dos centros de saúde não dispunha de um computador no seu posto de trabalho e que muitos dos felizes contemplados não tinham grande experiência com os mesmos (lembro-me, por exemplo, do caso caricato de um profissional que, a utilizar o Powerpoint, apenas conseguia colocar um slide por ficheiro).

Acredito que a mudança tenha sido feita gradualmente, não só devido a formações específicas, mas também – ou principalmente – devido ao crescimento do número de desktops em casa, entretanto substituídos parcialmente pelos portáteis e tablets, bem como os smartphones e leitores de mp3/mp4, repletos de aplicações.  Hoje, a vida fora do trabalho está repleta destes e outros velhos conhecidos que entretanto se tornaram mais complexos, como as consolas, as máquinas fotográficas e as próprias televisões e os seus descodificadores.

Neste tipo de formação, a experiência em TIC é sempre heterogénea, com os que tendem a experimentar as novas tecnologias a se desembaraçarem muito melhor que aqueles que as evitam. No entanto, nada me ilustrou mais os tempos de mudança quando alguém me solicitou que a ajudasse a copiar e colar texto, pois não o sabia. A expressão patente na cara dos colegas jamais teria sido tão unânime há uma dúzia de anos atrás, pois, acreditem ou não, era uma dúvida recorrente…

NPS

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