O José e o Mago

joserseramagoComecei a ler Saramago aos 19 anos quando publicou O Evangelho Segundo Jesus Cristo, e continuei a ler, procurando outras obras suas, ainda não era ele Nobel da Literatura já constava da minha lista de autores favoritos numa idade em que me formava enquanto leitor adulto, autores aqueles que insistam em retornar à minha mesa de cabeceira.

Nunca procurei Saramago, nunca lhe escrevi, mas nos jogos de palavras que fazia nesta idade, os quais já vou realizando com menor frequência, surgiu num ou noutro escrito de mim para mim um trocadilho, óbvio há que confessar, com o seu nome, ele também alvo de explicações do próprio José em diversas entrevistas, tendo eu brincado com o seu nome de duas formas, a inicial José Sara, o Mago, ou uma mais familiar Zé Sara, o Mago.

Imaginem a surpresa, tantos anos volvidos, quando numa visita a uma livraria, uma capa de um livro exposto exibia o título José, Será Mago? Ou talvez não consigam imaginar, acreditem apenas quando vos digo que tive de pegar na obra e ler o título novamente para me certificar que na capa daquele livro constava um trocadilho semelhante ao que sentia como meu, como se nós pudéssemos ser donos das palavras. Afinal, o próprio José Saramago em tempos tinha proferido que a ideia para o seu, agora de todos nós, Evangelho se tinha iniciado por uma ilusão de óptica, ao lhe parecer ler algures, confesso que já não me recordo se num jornal ou noutra publicação, tal título, ilusão esta que foi o ponto de partida para deixar de ser uma ilusão e existir de facto pela sua mão.

O desenho da capa, que depois descobri ser de Isabel Beleza, não me permitia ter dúvidas quanto a quem era o visado, sendo perfeitamente reconhecível o José Saramago, não existiam portanto enganos, o livro de Mário João Alves era mesmo sobre Saramago, ali colocado na secção infantojuvenil da livraria, ou não tivesse a obra o propósito de introduzir os jovens no universo literário de Saramago.

Será uma boa leitura, presumo que para os jovens, mas também para os leitores de Saramago, que facilmente identificarão os piscares de olho à vida e obra do autor, o que permite a coexistência de vários tipos de leituras, até onde o leitor se permitir ir descascando as diversas camadas.

O autor afirmou ter planos para mais dois livros semelhantes dedicados a outros escritores lusos, venha mais cinco.

NPS

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