Uma baleia no quarto

umabaleianoquartoO Ricardo Cabral é um autor cujo trabalho tenho seguido nas suas vertentes de banda desenhada e sketchbooks. Numa visita apressada a uma livraria, estava em exposição um livro infantil com uma capa que me chamou a atenção, ou não fosse composta por uma menina e uma baleia dentro de um quarto. Apercebi-me que o ilustrador era o Ricardo Cabral e o meu telemóvel tirou uma foto da capa para não me esquecer de o explorar com mais calma.

Isso nunca veio a acontecer mas, mais tarde, encomendei o livro online para o Pai Natal presentear a minha filha, tendo a certeza de que proporcionaria um bom tempo de qualidade familiar – estava convicto de que: a) a arte agradaria ao progenitor e à descendência; e b) a premissa do livro entusiasmaria a filhota.

A futura prenda foi rapidamente escondida após a entrega do carteiro e foi também celeramente embrulhada no primeiro momento em que me encontrei privado da companhia dos filhos.

Já a madrugada se tinha iniciado há algum tempo quando o livro tornou a ver a luz… do candeeiro (?). Todas as obras literárias infantojuvenis foram empilhadas em dois montes, de acordo com a criança presenteada, antes de irmos dormir.

No dia seguinte, a minha esposa comentou algo semelhante a “Então, deste à nossa filha o livro Uma baleia no quarto? Percebo porque o fizeste!”. Isso deixou-me intrigado. Da última vez que a excelentíssima esposa tinha utilizado uma expressão semelhante fora na situação descrita em Os Homens Precisam de Mimo. E, de repente, o nome de João Miguel Tavares surgiu na minha mente. Não era ele também o autor deste livro de menina e baleia? Abismado – mais com o facto de ainda não ter tomado consciência até aquele momento de quem tinha escrito a estória – confirmei a autoria.

Ontem, tive a oportunidade de ler finalmente a obra. As ilustrações de Ricardo Cabral não me deixaram dúvidas – estava novamente a ler sobre o quotidiano de João Miguel Tavares e a sua família, embora, desta feita, a ficção voe muito mais livremente que no formato da crónica. E como a protagonista daquele livro se assemelhava (muito) com a minha filha, fez-me relembrar a questão abordada no outro meu texto da unicidade versus o cliché.

Independentemente das coincidências, para os leitores destas linhas que já darei por findadas, reafirmo que as suspeitas se confirmaram: uma boa estória acompanhada de uma arte que de certeza agradará a pais e filhos.

NPS

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