Barbear…

Era um lavatório antigo. Uma torneira pequena que dispensava de um mísero fluxo de água. Existia também um sabão já usado e minúsculo. A cerâmica branca apresentava à superfície vagas rachadelas como fios negros de uma desordenada teia.

O homem respira a custo. Exala tensão. Tem uma barba curta e negra. Espessa. Aproxima-se.

O gesto que se prepara para fazer é absolutamente banal: lavar as mãos. Esperemos mais um momento. Constatamos que exagera os movimentos, lentifica-os. As mãos como que bailam entre si libertando desespero.

É então que o narrador entra na cabeça da personagem. Constata que ele lava as mãos na esperança absurda de livrar-se de certas memórias.

(imagem obtida aqui).

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