Transformar-se-ão em revistas raras de BD?

Independentemente dos valores que se possam atribuir às revistas de banda desenhada Geox Boy e Geox Girl, estas publicações têm um série de características que favorecerão a que as mesmas se tornem itens raros entre os colecionadores de obras da nona arte.

São várias as razões pelas quais as revistas e livros de BD portuguesas se podem tornar objetos raros, especialmente em bom estado. Neste caso, o público-alvo ser infantojuvenil é um determinante importante: implica uma pouca valorização das revistas após os seus leitores terem ultrapassado a idade-alvo com as consequentes ações daí resultantes – reciclagem, reutilização ou extravio, com ou sem prévios maus-tratos.

Se isso é verdade para todas as revistas de banda desenhada infantis, estas revistas contêm outras características particulares:
– difícil acessibilidade: não se encontram à venda, nem são dadas gratuitamente de forma incondicional: cada revista implica uma compra na loja da marca;
– desvalorização do objeto: tendência para desvalorizar o que é gratuito (não existiu motivação para a compra) e confusão entre uma revista de banda desenhada enquanto obra e objeto de marketing à marca.

Tudo isto contribui para que, além dos maus-tratos dos jovens leitores, a reciclagem e reutilização sejam as razões pelo desaparecimento de uma quantidade impressionável de exemplares. Por outro lado, frequentemente é equacionada a seguinte questão:
– incerteza e desconhecimento do valor: os leitores que não desejam continuar a possuir revista, não têm frequentemente referências quanto a quem valorizaria a sua posse (a biblioteca dá apreço ao produto? há colecionadores de BD que ficariam agradados em possuir a revista e como se encontram? há colecionadores ou alfarrabistas interessados em comprar a revista em segunda mão e qual seria o valor adequado?)

Se a todos estes factores associarmos o facto de nenhuma destas revistas ser uma obra-prima da nona arte – com argumentos básicos e repletos de lugares-comuns -, a desvalorização é ainda mais premente.

Já analisámos anteriormente a banda desenhada como um dos meios utilizados na estratégia de marketing do calçado infantojuvenil. Desta vez, a segmentação do mercado por género dá-se também nas revistas. Ao contrário do primeiro número da série, onde se apresentavam duas histórias com a origem dos dois super-heróis da Geox, no número 2 a marca apostou em duas revistas diferentes (ou seja, duas revistas nº 2), para cada um dos super-heróis.

A revista para os rapazes (Geox Boy) continua a dar destaque aos vilões e combates. A das raparigas (Geox Girl), aposta fortemente na moda e na música de girls bands. Impressas em Itália, um dos balões encontra-se naquela língua, um esquecimento que se torna uma curiosidade.

Por outro lado, há uma dissonância  nas revistas, quer no número 1 quer nas número 2. Em todas as histórias, existe um crossover com o super-herói do género oposto. E, frequentemente, existem momentos comuns. No entanto, os acontecimentos que levam a esses momentos comuns são diferentes nas revistas do Geox Boy e da Geox Girl e em nada se assemelham a diferentes visões ou interpretações do mesmo acontecimento. Talvez se tratem de universos ou dimensões paralelas em cada uma das revistas. Mas, o mais provável, é que a marca e os autores não tenham sentido a necessidade de impor lógica e continuidade a um produto de marketing

A propósito de marketing, os heróis da marca de calçado não se ficam por aqui, com direito ao seu microssite, no qual podem ser lidas as revistas online, jogar videojogos e imprimir alguns desenhos dos heróis para colorir.

Eis o anúncio relativo ao mundo masculino:

E este destina-se ao mundo feminino:

Se estas revistas em concreto se tornarão ou não raridades – independentemente do apreço que terão – só o tempo dirá…

NPS

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