Novas palavras e poesia

A tecnologia inventa novas formas de comunicação, ou descomunicação, conforme os casos.

Os homens, as mulheres incorporam essas possibilidades no seu quotidiano. Desenvolvem, inclusive, uma linguagem que não era à partida previsível. Lembremo-nos dos toques de telemóvel ou do conjunto de siglas, quase outras palavras, emergentes a propósito dos sms.

Tudo isso existe e vai modificando as nossas vidas.

As redes sociais possibilitam um quotidiano virtual que permite a reaproximação das pessoas ou pelo menos essa ilusão. Já se sabe: existem sempre pessoas que se perdem, para quem as novas oportunidades não passam de novas formas de alienação. Sabemos isso…

Mas o que nos interessa para este texto são essas novas palavras, a linguagem que acaba por se criar ou recriar. Linguagem no sentido pleno do termo com um não verbal, uma tonalidade emocional – os risonhos e os tristonhos, a título de ilustração. O envolvimento afetivo que se torna possível.

Meus caros: mais tarde ou mais cedo, por se associar a uma experiência afetiva, o ato de ligar o telemóvel, a ténue luminescência do ecrã perante o rosto feminino acabará por ser pretexto para o poema.

E como será esse texto?

Um haiku, uma poesia de amor sob o pano de fundo urbano ou o satírico será o tom dominante?

É curioso pensar como será. E como a poesia ensinará o que nós sempre soubemos mas num novo contexto. A lição é apaziguadora: também nas novas máquinas é possível extrair poesia. Também através das novas tecnologias conseguiremos ir redesenhando a nossa humanidade.

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