A escrita do não verbal

Um historiador de uma civilização antiga, por exemplo a romana, sabe concretizar através de objetos e artesanato ou outros utensílios a época em que elas foram produzidos. Imaginei assim um historiador no futuro a olhar para as nossas formas de escrita.
Esse historiador ver-se-ia confrontado com um texto com 🙂 ou 😉 ou outra sinalética do género. Afirmaria com segurança: «este texto é seguramente posterior ao fim do século XX.»

A escrita não existe independentemente do suporte em que se desenrola. Inicialmente em vasos sumérios, depois em pedra, em papiros, pergaminhos e finalmente em papel. Presentemente acontece também em computadores e dispositivos do género. Aqui a escrita tem de servir também para comunicar em tempo real – servindo a conversação escrita.

É então que a escrita procura o seu terceiro excluído (noção emprestada e modificada de Pascal Quignard*) o não verbal – mais precisamente o não verbal grafado.

*«A escrita é o seu próprio terceiro excluído.»

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