Epic

Epic de Conor Kostick é o primeiro volume de uma trilogia intitulada Avatar Chronicles. No entanto, o leitor que apenas ler o primeiro volume editado pelas Edições Asa não se aperceberá de tal, até porque mais nenhum livro da saga foi editado em Portugal. E como o primeiro foi publicado em 2006… desconhece-se se existirá edição lusa dos dois outros volumes.

Isso é um impedimento à leitura de Epic para quem não quiser ler os restantes volumes noutra língua que não a sua? De todo… Epic tem princípio, meio e fim, valendo per si.

Porque trago à vossa atenção este “romance jovem” (nome da coleção da editora, com livros destinados a leitores com mais de 13 anos)? Primeiro, porque este livro juvenil tem vindo a ser apreciado pela população adulta um pouco por todo o mundo e nem sempre pais e filhos têm prazer em ler os mesmos livros em simultâneo.

Segundo, porque a leitura que um adulto fará terá certamente um significado diferente da de um adolescente. Esta obra de ciberficção tem lugar no futuro, num planeta denominado New Earth, onde um videojogo domina a vida da população. O videojogo tem por título… Epic.

Epic é um MMORPG (Massive Multiplayer Online Role-Playing Game), isto é, um videojogo de interpretação de personagens num mundo virtual dinâmico, jogado em em simultâneo por milhares de jogadores,  numa plataforma semelhante ao que atualmente conhecemos por internet. A temática do jogo é a fantasia, mas há muitos séculos que o propósito lúdico para o qual foi criado, foi esquecido.

Independentemente da idade, todos os cidadãos jogam Epic, uma vez que dependem dos resultados que obtêm no jogo para ir garantindo a sua sobrevivência, ao conseguir ir amealhando dinheiro com o seu avatar e ir obtendo oportunidades na vida real (por exemplo, dependendo das proezas realizadas no jogo, os jovens têm acesso a diferentes estabelecimentos de ensino, numa sociedade com evidentes desigualdades). E quando um avatar “morre”, todas as conquistas se perdem e há que começar de novo, do zero.

Se os mais novos se vão entreter com elementos mais clássicos da literatura fantástica, no ambiente do jogo, com direito a batalhas com dragões, anéis mágicos, fabulosos tesouros, armas poderosíssimas ou combates de proporções gigantescas com o jovem Erik e os seus amigos, os mais velhos deixar-se-ão intrigar pelas questões metafísicas do programa tomar consciência da sua existência e das questões que este conhecimento proporciona, bem como se interessar pelo Comité, os mestres do jogo que controlam o planeta. Num mundo onde qualquer forma de violência é estritamente proibida, é, curiosamente, numa arena virtual que os cidadãos tentam resolver as suas petições em combate virtual com o Comité. Detentores das melhores armas, armaduras e feitiços, dificilmente se poderão considerar muito justas quaisquer lutas que sejam travadas entre o Comité e os cidadãos. Mas é este o sistema vigente…

Deste modo, à ação e suspense, adiciona-se não só a estratégia, mas também a política e a filosofia, tendo-se tornado o livro alvo de excelentes críticas e louvores à rica dimensão intelectual que alberga.

Quando, no passado domingo, numa pequena feira de colecionismo, um vendedor defendia que um rico será sempre rico e um pobre será sempre pobre, a minha mente lembrou-se de Epic. Fica a proposta de uma boa leitura!

NPS

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