Férias de Risco

Passar férias com alguém é sempre um risco. Há uma infinidade de situações a ter em conta, desde as possíveis incompatibilidades de horários até aos diferentes gostos gastronómicos, só para falar de algumas situações praticas.

Depois vêm as inevitáveis brigas entre quem passa muito tempo junto num ambiente não familiar, longe de casa e onde não se conhece mais ninguém. Se são só dois, a coisa facilmente estará condenada ao fracasso, a não ser que se verifiquem algumas condições, designadamente: os dois vivem juntos no dia-a-dia e as férias são apenas uma extensão dessa vivência; ou então um dos dois não tem vontade própria e o outro é um líder nato, sempre capaz de tomar decisões em todas as circunstâncias. A primeira destas condições é a mais comum, mas nem por isso garantia de sucesso quando se trata de férias a dois. Já a 2ª é uma verdadeira lotaria, pois a vontade própria é uma característica que assiste a todos os seres humanos, embora em diferentes escalas. Por outro lado, a capacidade de tomar decisões de forma consciente e não autoritária é uma virtude que poucos têm e dela sabem fazer uso. Junta-se assim uma “quase vontade” a uma “pseudo capacidade de liderança”, as quais, vão trocando de sujeito a seu bel-prazer, originando as mais diversas combinações. Destas, uma das mais desagradáveis é aquela em que os dois envolvidos assumem, ao mesmo tempo, o papel de “quase vontade”:

– Queres ir à praia?

– Humm… pode ser.

Ao que o outro responde prontamente:

– Mas tu queres?

– Se tu também quiseres…

E podem ficar nisto horas a fio, sem irem a lado nenhum, mantendo acesa uma “quase discussão” sem sentido. Igualmente desagradável é a combinação inversa, em que ambos adotam a postura de liderança, sem que nenhum dos dois saiba liderar:

– Hoje não me apetece ir à praia.

– Mas porquê? Viemos para aqui por causa da praia…

– Está bem, mas não tenho de ir todos os dias, pois não?

– E então o que queres fazer?

– Não sei, mas não quero ir à praia.

– Ok, então não vás. Eu vou de qualquer forma.

– Pois, tem de ser sempre tudo como tu queres, não é?!

– Como eu quero? Tu é que não queres ir para a praia…

E assim começa outra estúpida discussão, de duração imprevisível e final pouco prometedor. Há, ainda, muitas outras possíveis combinações que facilmente ilustram os riscos de passar férias a dois. No entanto, a ideia de base está lançada; acautele-se, pois, quem está a pensar nesse tipo de férias.

Teresa Rodrigues

Agosto de 2012

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