Nunca se esquece o primeiro…

Nos anos 80, um dos mais populares microcomputadores na Europa era o ZX Spectrum, com o sistema operativo Sinclair BASIC e direito a 16 KB de ROM e 16 ou 48 KB de RAM, consoante o modelo.

No entanto, o meu primeiro computador pessoal não foi este, mas sim o seu derivado desenvolvido pela Timex de Portugal, o Timex Computer 2048, comercializado com muito sucesso no nosso país e na Polónia (e, segundo li, parece que também no Chile). O bom deste computador é que era um modelo melhorado que era suposto ser a base para uma nova versão do ZX Spectrum, que nunca viria a ser lançada.

Mas o que era mais importante:  o modelo era compatível com o software destinado ao ZX Spectrum, embora não na totalidade – devido a diferenças na ROM – mas quase. Ou seja, praticamente, todos os videojogos do Spectrum podia ser jogados no meu computador. Sim, jogos. Não tenhamos ilusões, era esse o principal propósito destes computadores.

Por acaso, dediquei-me à autoaprendizagem do BASIC, com a ajuda de alguns manuais adquiridos. Uma vez aprendidas as bases, esta linguagem de programação era muito intuitiva, permitindo-nos criar “programas” interessantes. É claro que se a eletricidade faltava enquanto se estava a programar ou se não se tinha uma cassete de áudio onde gravar o que se tinha escrito, todas as horas de trabalho eram perdidas – aconteceu mais do que uma vez, acreditem.

E, sim, referi-me a cassetes de áudio. Era necessário ligar ao computador um leitores de cassetes de audio para ler os programas. E qualquer programa – hoje ridiculamente pequeno – levava uns bons minutos a ser lido, com uns sons demasiado estridentes para o ouvido humano.

O monitor? Existiam alguns modelos, frequentemente com várias tonalidades de verde (em vez de serem a “branco e preto” eram a “verde escuro e claro”), mas eu preferia as cores da televisão, havendo, no entanto, muitos amigos que utilizavam os televisores monocromáticos (era bem mais simpático a preto e branco que em tons de verde, acreditem).

Controladores de jogo? Também havia. Apesar dos jogos utilizarem o teclado,  muitos tinham a possibilidade de se utilizar um joystick, que era possível acoplar via a interface Kempston.

Havia ainda a possibilidade de conectar o computador a impressoras dedicadas, mas nunca conheci ninguém que as tivesse.

Quanto às cassetes com jogos, eram vendidas em várias lojas que se dedicavam desde a venda de música às de eletrodomésticos, mas existiam também um negócio pirata. Acreditem ou não, algumas lojas – no Porto, existiam, por exemplo, várias no centro comercial Dallas – dedicavam-se exclusivamente a piratear os jogos. Se levássemos nós as cassetes de áudio, ficava ainda mais barato, pois não as tínhamos de pagar. A pirataria doméstica era também comum: as cassetes que os amigos tinham com jogos, tal como as com músicas, eram facilmente copiadas desde que se tivesse dois decks ou leitores de cassetes (um para ler e o outro para gravar). E nenhum de nós questionava a legitimidade das lojas o fazerem ou nós próprios.

Outros tempos…

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