Longas, primeiro

Agosto terminou. Em tempo de férias, houve mais tempo para sessões familiares de sétima arte, no cinema e em casa, sob a forma de curtas e longa-metragens. Também houve disponibilidade para algum cinema menos infantojuvenil. Só ficou a faltar a cine-esplanada. Talvez para o ano…

Comecemos pelos longas. A pérola do mês foi Uns e os Outros, essa obra-prima de Claude Lelouch. Realizado em 1981 e sendo, na minha opinião, um diamante com algumas imperfeições, é uma vera lição de cinema não só no que toca aos movimentos de câmara mas também a como é possível apresentar ao espetador a dança e a música como protagonistas. O argumento poderá ter algumas variações de interesse mas a verdade é que nos cativa o suficiente para mal darmos passar pelas 3 horas e 4 minutos de duração, momento em que este épico musical termina com a ligação das quatro histórias – russa, francesa, alemã e norte-americana – que fomos seguindo. Apenas uma advertência: posteriormente, sempre que ouvir o Bolero de Ravel passará a evocar algumas cenas do filme.

Mas da colheita do mês de agosto, destaco ainda Na América (2002) de Jim Sheridan. Conseguindo fugir aos lugares-comuns, as desgraças sucedem-se em catadupa, enquanto a esperança permanece – por vezes, ténue. Um registo pessoal em que o retrato cru da vida nos mostra a sua magia… As interpretações- inclusive das crianças – e a fotografia conferem-lhe um toque especial.

A merecer ainda uma menção, foi interessante visionar Lorax (2012) de Chris Renaud & Kyle Balda – que já comentei aqui -, Brave – Indomável (2012) de Mark Andrews & Brenda Chapman  – a apresentação da nova princesa Disney, Merida, que me obrigou a relembrar às crianças que as princesas e príncipes bem-educados não praticam o culto das eructações e flatulências – e O Duelo (1977) de Ridley Scott – onde uma incursão ao mundo da obsessão humana é acompanhada por uma bela fotografia.

Fiquei indiferente a:

a) O Concerto (2009) de Radu Mihaileanu – na verdade, mais que indiferente, a palavra certa seria desapontado, uma vez que parece não ter havido nenhuma decisão quanto à direção a seguir: tanto estamos num registo mais dramático como numa comédia repleta de momentos boçais;

b) Laços de Honra (1992) de Robert Mandel – talvez já não tenha grande paciência para filmes cuja ação tenha lugar numa escola secundária norte-americana, apesar da este em particular estar a milhas de distâncias dos subprodutos que naqueles locais têm sido realizados, ou não fosse o tema (um judeu a sofrer discriminação numa escola de elite nos anos 50 do século passado); como curiosidade, saliente-se que o filme reúne um elenco de jovens que são hoje consagrados: Brendan Fraser (num registo extremamente diferente do que nos habituou posteriormente), Matt Damon, Chris O’Donnell e Ben Affleck;

c) Madagáscar 3 (2012) de Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon – apesar de gostar da série, o meu favorito continua a ser o primeiro filme;

d) Einstein e Eddington (2008) de Philip Martin – que, apesar do tema – a prova da teoria da relatividade geral de Einstein por Eddington na então portuguesa ilha do Príncipe -, não me cativou;

e) O Casal Ariano (2004) de John Daly – com direito a uma interpretação de Martin Landau e momentos muito bem conseguidos – até onde vamos para salvar a nossa família e os que nos são queridos?; e

f) Quincas Berro d’Água (2010) de Sérgio Machado – que teria merecido melhores interpretações em muitos dos papéis.

Por outro lado, foi extremamente penoso ver Os Pinguins do Sr. Popper (2011) de Mark Waters. Tenho de confessar que vi a versão dobrada em português com os meus filhos, mas não fiquei com energia suficiente para tentar o seu visionamento na língua original.

Quanto às curtas, escrevo sobre elas outro dia…

NPS

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