Ficar preso no interior do símbolo

Jorge Zentner e Ruben Pellejero publicaram o álbum da banda desenhada FM Frequência Modelada em 1990. Trata-se de um conjunto de histórias breves a preto e branco. Destacamos para esta nota o primeiro enredo com o título de «Marketing». Acompanhamos o fim de dia de um locutor de rádio. Percebe-se que é conhecedor de música, sendo mesmo uma referência no meio.

O dia acaba e o nosso homem sai para a rua à procura do carro. É então abordado por alguém que, após um breve mal entendido acaba por reconhecê-lo. Trata-se de Freddy Morfflin, um famoso cantor e amigo pessoal do locutor da rádio.

O cantor quer contar-lhe a sua história. A sua morte, anos atrás, foi-lhe proposta pela editora. Os diretores comerciais da empresa foram claros: os seus tempos de músico estavam a terminar, pelo que se morresse – uma morte encenada apressaram-se a assegurar – construiriam um mito do cantor.

A morte seria uma forma eficaz de publicidade e de garantir proventos. O cantor anuiu e foi pago principescamente.

Passados três anos sente-se só. Necessita contacto humano – mas até o seu amigo mais próximo recusou ajuda. «Estás morto».

Eis um exemplo perfeito de como o símbolo pode forçar o real a adaptar-se às suas exigências.

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