Uma prateleira de mangas a menos

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Há dois meses, abordei a Princesa Pêssego. Nada como necessitar de reutilizar uma prateleira para me decidir a retirar dela um punhado de livros de manga e finalmente me resolver a lê-los.

Continuando com a aposta da Asa no neomanga shoujen em 2008, li a série de 3 volumes intitulada Dramacon da canadiana de origem russa Svetlana Chmakova, originalmente publicada pela então profícua Tokyopop. Ao contrário da Princesa Pêssego, o argumento desta série é menos infantil e mais juvenil, pelo que não foi lida aos filhotes. Provavelmente, melhor apreciada por pré-adolescentes femininas, a série narra os encontros e desencontros de uma adolescente aspirante a ser escritora de manga que encontra ao longo de três anos sucessivos um rapaz por quem se apaixona num festival de anime. Sim, Dramacon = drama + con (convention – neste caso, melhor traduzido como festival ou evento que como conferência ou congresso). Pois…

A Asa fez uma aposta tripla. Além do shoujen, também publicou o manga seinen – dirigido a jovem adultos masculinos – Hellgate: London, uma prequela do videojogo, escrito pelo norte-americano Arvid Nelson e desenhada por J.M (Jeon Mo Yang), publicada originalmente pela Tokyopop. Nunca o joguei nem conheço o seu universo. Apesar de apreciar bastantes obras de Nelson, foi uma leitura pesarosa, na qual a arte também não me conseguiu cativar. Não estava minimamente interessado no que acontecia em 2020, com uma invasão de demónios a nível mundial. Apesar de numerado com o número 1, a série não prosseguiria nos EUA. Felizmente!

Outro universo que também não me era familiar era o de Yu-Gi-Oh! Nunca vi os desenhos animados nem experimentei os seus videojogos ou jogos de cartas. No entanto, aqui tratava-se da obra original de Kazumi Takashi. Dedicado desta vez a meninos com mais de 10 anos – manga shounen -, pareceu-me ser demasiado sombria para o público-alvo, com o protagonista Yugi Motou a ser ajudado pelo seu alter ego após conseguir resolver o puzzle do milénio. A maioria das personagens desta famosa série não é simpática nem existe nenhuma que seja um modelo que se deseja dar às crianças – armas brancas são um perigo constante, por exemplo. Para um público mais velho, presumo que seja demasiado infantil, com momentos melhores e piores ao longo dos 7 volumes publicados pela Asa, os quais reúnem as primeiras 60 histórias. Há um ano sem ser editado mais nenhum volume no nosso país, há razões para desconfiar que a série foi cancelada pela Asa.

Outro shounen publicado foi o clássico Astro Boy (Tetsuwan Atomu, no original) do mestre Osamu Tezuka. Já conhecia a personagem do filme animado homónimo de 2009, realizado por David Bowers. A série de manga estreada em 1952 contém um argumento apropriado aos mais novos, apesar de ser constantemente explorada a convivência do homem com a máquina e a natureza. Fiquei deveras espantado com o estilo utilizado… Tezuka é considerado o deus do manga, a referência incontornável do género. No entanto, nas 8 histórias publicadas nos 3 volumes editados pela Asa – mais um cancelamento, provavelmente – o estilo é muito mais próximo da Disney que o manga que conhecemos atualmente.

Após estes 14 volumes, fiquei com uma vontade enorme de ler algo… melhor!

NPS

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