The Passenger de Michelangelo Antonioni

Um dos filmes que vi em julho foi The Passenger (1975) do famoso realizador italiano Michelangelo Antonioni com Jack Nicholson e Maria Schenider – a famosa atriz do Último Tango em Paris. Nicholson desempenha o papel de um jornalista que pretende investigar algo numa colónia africana que luta pela independência.

No quarto ao lado do hotel em que está hospedado, um ocidental – vem-se a saber que traficante de armas – é assassinado. Nicholson, que já o conhecia, acaba por assumir a sua identidade – para prosseguir a sua investigação? Em Londres, no jornal em que trabalha julgam-no morto. É neste contexto que sabemos um pouco mais do personagem: que se separou da mulher; que é cético em relação ao que faz.

A mulher e um colega apercebem-se do engano e vão procurá-lo em Barcelona. É na cidade condal que Nicholson conhece Schneider, uma estudante de arquitetura com quem se envolve.

Mas a investigação não avança e a insistência em manter uma identidade que não é a sua começa a tornar-se incompreensível. Schneider vai-se apercebendo da vontade de desistir do companheiro. Depois de concordar em afastar-se, vai de novo ter com ele ao hotel em que se acabara de hospedar, após uma longa deambulação pelas estradas de Espanha. É então que a vontade de morrer se torna visível, ainda que através de uma parábola.

Nicholson pede para ficar sozinho no que é atendido. A câmara fixa-se numa grande janela de grades que dá para um enorme terreiro. É o grande final. Vemos um miúdo a brincar, Schneider percorre o descampado, chegam os compradores de armas. Em breve ouve-se um ruído – foi um tiro? A câmara aproxima-se da janela, lentamente, sai para o descampado, através das grades. Chegam carros de polícia, a esposa…

A câmara já no terreiro acompanha-os na entrada no hotel, dão com Nicholson prostrado na cama, assassinado. A polícia interroga as duas mulheres. «conhece este homem?» A esposa diz que não, Schneider, a namorada recente, diz que sim.

Em que medida conhecemos uma pessoa?

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