Sétima arte em julho

Julho foi um mês em que dediquei pouco tempo à sétima arte. E, curiosamente, os três únicos filmes a que assisti, relacionam-se diretamente com as artes, um com a banda desenhada – Dylan Dog: Guardião da Noite (Kevin Munroe, 2011) – e outro com um certo ator de cinema – Eu, Peter Sellers (Stephen Hopkins, 2004). No entanto, o primeiro filme oficial de Dylan Dog – em tempos, já tinha visto outro não oficial, intitulado Dellamorte Dellamore (Michele Soavi, 1994) – e o filme inspirado na biografia de Sellers não deixam marcas (apesar do fantástico desempenho de Geoffrey Rush).

Desse modo, foi fácil eleger qual o filme a destacar, desta feita dedicado à música, mais propriamente a George Harrison. George Harrison: Living in the Material World é um documentário de Martin Scorsese que se estreou em 2011. Estava algo desconfiado, pois, se é verdade que me tinha degustado com o seu documentário sobre os blues Feel Like Going Home (2003), não tinha nenhuma boa memória acerca de Shine a Light (2008), o seu documentário dedicado aos Rolling Stones.

Este documentário aborda várias facetas da vida de George Harrison, seja a música, a família, os amigos, o cinema ou a espiritualidade, sem a existência de blocos estanques a ele dedicados, pois não é assim que a vida funciona, misturando e remisturando tudo. Se existe uma linha ao longo do documentário será a cronológica, a qual foi uma boa escolha, na medida em que permite a leitura de como Harrison foi chegando a este ou àquele ponto. E se está dividido em duas partes, provavelmente relaciona-se mais com a duração do filme – 208 minutos – do que com um planeado ponto de corte no processo narrativo.

Além da música, a espiritualidade acaba por ganhar um grande relevo nesta narrativa – e os desvios a que aparentemente obrigavam-no a viver no mundo material a que o título se refere -, sem preconceitos nem tabus. Ao fim das quase 3 horas e meia, sabe a pouco. Queremos conhecer ainda melhor Harrison. Scorsese só pode estar de parabéns!

NPS

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