Optimus Primavera Sound 2012 p4

Estas são as minhas impressões sobre o 4º dia do Festival. Pode ler sobre o 1º dia aqui, sobre o 2º dia ali e sobre o 3º dia acolá.

Para trás, tinha ficado o Parque da Cidade. No dia 10 de junho, os palcos seriam outros para os que tinham os passes gerais e haviam conseguido ou iriam conseguir entradas para a Casa da Música e Hard Club.

Às 16 horas, o programa informava que a Casa da Música apresentava duas possibilidades, ou Nick Garrie ou Jeff Mangum. Ao subir a escadaria, para nossa surpresa, uma lata de cerveja rola quase em câmara lenta degrau a degrau. Influência dos 3 dias anteriores? O estilo clássico dos funcionários da Casa da Música contrasta com o vestuário e disposição dos festivaleiros. Há uma longa fila para obtenção e troca de bilhetes…

Tínhamos optado por Nick Garrie na sala 2. À medida que os festivaleiros vão chegando, vão-se sentando no chão da sala (as cadeiras tinham sido retiradas para duplicar a capacidade), desta feita sem utilização da sacola-toalha e provavelmente com saudades do verde e do sol dos dois primeiros dias.

Quando Garrie entra no palco, se senta e pega na guitarra os festivaleiros colocam-se de pé. Sit down, grita um festivaleiro inglês, sentado perto de mim e encostado a uma das paredes. os restantes olham para ele e… sentam-se. Há que lhe agradecer… permitiu que todos desfrutassem do espetáculo de uma forma relaxada – como deveria ser – e com boa visão para o palco pouco elevado.

Garrie foi-nos contando o seu percurso de vida num discurso bem humorado, com canções selecionadas de cada uma das fases que narrava. Tratava-se de um concerto que tinha preparado especialmente para o Primavera Sound barcelonês e portuense. Falando ora em inglês ora em português – e um pequeno momento em língua francesa – Garrie conquistou o público desde o início com as suas histórias e as suas canções, tendo tocado algumas músicas pela primeira vez ao vivo. Os festivaleiros acompanharam, sempre que solicitados e treinados…

O encore já foi escutado de pé, com um público que não se queria privar da sua companhia. Quando Garrie abandonou o palco, preocupado em não perder o avião – no dia seguinte, era dia de trabalho, ou seja, ensinar francês a crianças inglesas de escolas do 1º ciclo do ensino básico – tinha deixado um repto. Convidem-no a fazer mais espetáculos por cá – especialmente no verão, pois a filha quer vir surfar…

Quando saímos, há muitos festivaleiros dentro e nas imediações da Casa da Música a conviver. Mas temos compromissos familiares…

Por volta das 20h, estávamos de volta. Foi com satisfação que vi vários casais ou grupos de festivaleiros nos jardins da Praça de Mouzinho de Albuquerque, vulgo Rotunda da Boavista, a realizarem piqueniques com a ajuda da sacola-toalha e comida comprada nos centros comerciais mais próximos. Foi bom ver revitalizado, por poucos momentos que fosse, aquele local num domingo ao fim da tarde.

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Para este final de dia, as hipóteses eram a sala 2 com os Sonic Youth – de acordo com o programa, seguidos de James Ferraro, novamente – ou a sala Suggia com os Olivia Tremor Control, seguidos de Jeff Mangum dos extintos Neutral Milk Hotel, que já tinha realizado um concerto à tarde. Apesar de gostarmos dos portugueses Sonic Youth, a escolha recaiu sobre a outra opção. Somos presenteados com uma pulseira verde em papel.

A Sala Suggia está repleta mas conseguimos lugares na 2ª fila. Bem, na verdade, quando o concerto se inicia há alguns lugares vagos, mas no coro. Os Olivia Tremor Control revelam-se excelentes instrumentistas e vocalistas caminhando ora por um indie rock mais acessível, ora por um lado mais experimental, tudo polvilhado com neopsicadélica. Apesar dos avisos sonoros iniciais, há quem utilize as máquinas fotográficas e telemóveis. Ninguém se parece importar. Jeff Mangum, um dos fundadores da banda, apareceu em palco para cantar um dos temas. E ganha uma salva de palmas em pé. O concerto prossegue e… para tristeza da maioria dos presentes, não há encore

Na casa de banho masculina há fila. Quando regresso à sala, a minha esposa conta-me que alguns membros da banda regressaram para tirar fotografias com os fãs, dar autógrafos e trocar impressões com o público. Vislumbro alguns elementos a perguntar, a quem está sentado e guarda os lugares para os ausentes no intervalo, se este ou aquele lugar está livre, sem sucesso. Querem assistir ao concerto do antigo companheiro.

Quando Jeff Mangum entra no palco e se senta questiona se não há quem se queira sentar à sua beira. Três agrupamentos celeremente se formam, não só em frente ao palco mas também no mesmo, a ladeá-lo. Com um reportório totalmente retirado dos álbuns dos Neutral Milk Hotel, Mangum encanta com a sua voz e guitarra. A dado momento, solicita aos festivaleiros para guardarem os telemóveis e máquinas fotográficas. O público só parece desiludido quando a atuação chega ao fim e se apercebe que não vai haver encore

É tempo para nos dirigirmos ao carro. Ao contrário da Casa da Música, para o Hard Club – atualmente localizado no antigo Mercado Ferreira Borges – não há bilhetes, sendo os bilhetes entregues por ordem de chegada – outra fila? – e a capacidade da sala 1 de 1000 pessoas e a da sala 2 de 120 a 300, conforme sejam lugares sentados ou de pé.

Já tinha terminado a atuação dos portugueses You Can’t Win, Charlie Brown. Segundo o programa, seguir-se-iam os Veronica Falls mais uma vez. Na outra sala, com horário mais tardio, estariam os portugueses Julie & the Carjackers, seguidos de Kindness. Quando chegamos à porta da sala, conseguimos ver e ouvir a atuação nacional, iniciada à pouco, bem como uma sala que não está repleta. Sorrimos. Inquirido o segurança se podemos entrar e mostrando a pulseira do Festival, lá somos informados que precisamos de uma outra pulseira, mas que parecia já não haver. Lá nos dirigimos ao local de distribuição de pulseiras – desta vez, azuis. Só há uma… Mas somos dois. Só há uma… A sala não está cheia. Só há uma

Dirigimo-nos para a viatura, tentando-nos conformar de que, pelo menos, iríamos descansar mais umas três horas que o previsto… e relembrando o quão bom foram estes 4 dias e discutindo quais os melhores momentos, bandas, músicas e concertos, bem como falando de episódios engraçados e de amigos reencontrados nos primeiros 3 dias.

Mas, chegado a casa, apesar de tentar, o sono não vem. Ainda é muito cedo para o que o relógio está agora habituado. Acabo a madrugada a visionar na internet os vídeos de alguns concertos integrais a que a chuva não nos deixou assistir no 3º dia, disponibilizados pela Antena 3. Mas não é o mesmo, claro. Está na altura de tirar as pulseiras. Afinal, 2013 está quase a chegar…

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