Eu e as sardinhas de S. João…

grilled sardines

24 de Junho no Porto, S. João.

Para uma criança de 8 anos chegada das ex-colónias nada habituada a santos populares e aos festejos consequentes, entrar num aglomerado populacional de gentes do Porto em plena noite de S. João era o fascínio total 🙂

De martelinho na mão era ver em quantas cabeças conseguia bater por minuto. A concorrência com o meu irmão era forte. Mas o que mais impressionava é que ninguém se queixava ao “apanhar” e os adultos até baixavam as cabeças para lhes batermos! Isto até chegar às Fontainhas.

Aí paramos para comer o que é típico: sardinhas e pimentos.

Uma coca-cola de gema como eu,  não come sardinhas! Não, o prato típico dos coca-colas é o bife com ovo a cavalo, as batatas fritas e… a dita! Quanto às sardinhas, bem, o asco foi de tal maneira que nunca mais consegui sequer sentir o cheiro. Imaginem o meu sofrimento quando vejo no calendário a data próxima! É que no Porto toda a população come sardinha. Cheira a sardinha desde o dia 23 em tudo quanto é ruas da cidade! Até em plena via de cintura interna, parada em fila para fugir da cidade se tem de fechar o vidro do carro para não ficar empestado com cheiro a sardinha. De tal maneira é o meu sofrimento que sempre que posso, guardo férias para fugir daqui no S. João. Um ano toda contente fui para o Alentejo. E de tantas cidades interessantes fui escolher Évora… Pois é amigos, o S. João também é o patrono de Évora… Nem queria acreditar quando lá cheguei… Fomos logo para Beja.

A memória menos má foi do S.João na praia. Aí o cheiro das sardinhas não conseguia concorrer com o da maresia de forma igual, mas mesmo assim fazia-se sentir…

É que nem o fato de ser nutricionista e saber da riqueza deste pescado em ómega3 me faz mudar de ideias. O cheiro é simplesmente intragável e o sofrimento é maior que o prazer de martelar! Alguns amigos tentam compensar-me oferecendo manjericos. “Cheiram bem!”. Pois é verdade. Mas tenho pena que comigo as plantas não se dão. Deixo-as crescer no quintal e é a Natureza que se trata a si própria. Porque em casa… é a desgraça total!

Não sei mesmo como escapar às sardinhas do S. João mas sei que nunca mais vou esquecer esta data nem as sardinhas, mesmo que mude de cidade ou país…por isso, e apesar do motivo não ser o melhor, quero prestar a minha homenagem ao santo que popularizou as sardinhas na cidade invicta, apesar de ter um cordeiro ao colo e ser outro o ligado ao pescado… Viva o Porto! e VIVAM as sardinhas! ou dito de  outra maneira: por favor, deixem-nas viver!

A coca-cola agradece 😉

image: Graeme Weatherston

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