O culto da melancolia e outras emoções

Quando começámos a equacionar quais seriam os pilares deste mural, prontifiquei-me a realizar um destaque mensal a nível cinematográfico baseado em critérios estritamente pessoais. Na verdade, o 100mural já foi adiantando alguns dos títulos a que fui assistindo em maio (cf. Tr3s de Bud e Lou, Os quilómetros que distam Tarzan de Pocahontas e Afinal… spin-off merecido!).

Um dos filmes, concorreria numa categoria completamente à parte dos demais. Refiro-me a Melancolia de Lars von Trier, uma vera obra de arte, repleta de referências psicossociais e culturais (Richard Wagner, Marquês de Sade, Jean Genet, John Everett Millais, Pieter Bruegel O Velho). Vencedor do prémio de melhor atriz em Cannes (Kirsten Dunst), a introdução começa a desvendar-nos em câmara lenta – extrema – as bases narrativas do que se seguirá. E em seguida deixamo-nos arrastar para a doença mental, disfunção familiar e a destruição do nosso planeta…

Quanto a filmes familiares, nenhum dos que foram sendo mencionados por aqui, mereceria o destaque… E, na verdade, o seguinte também não! Mas, obrigando-me à escolha, teria de recair sobre Os Marretas de James Bobin, mais devido à nostalgia e empatia que nutro pelas personagens do que outro motivo. O filme que venceu na noite dos óscares a categoria de melhor canção original tem, a meu ver, a pior interpretação de Amy Adams e Jason Siegel – que merece um louvor por ter conseguido revitalizar as personagens da minha infância (ainda tenho o vinil de 33 rpm da banda sonora da sua primeira incursão no cinema – a que assisti religiosamente – e um 45 rpm onde no lado b está a sensacional Mah Na Mah Na).

Depois da arte e da família, que filme destacar entre os demais? Fiquei indeciso entre Daybreakers – O Último Vampiro e Sem Nome. No entanto, o mediano filme dos irmãos Michael e Peter Stierig está especialmente construído para entreter as hostes quanto à ficção científica, fantasia e terror, perdendo-se facilmente a alusão à autocracia, genocídio e o negócio das drogas ilícitas. Sem Nome de Cary Fukunaga, também se trata de um equívoco de intenções. Felizmente! Já existem alguns filmes interessantes sobre a entrada ilegal de emigrantes no EUA via México. No entanto, o filme rapidamente perde esse foco, desta feita personalizado numa família das Honduras, e se concentra na vida dos elementos do gang Mara Salvatrucha de Chiapas, retratando as suas tradições e práticas de uma forma realista .

NPS

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