Os quilómetros que distam Tarzan de Pocahontas

Tarzan e Pocahontas são os mais recentes filmes Disney disponibilizados em formato blu-ray em Portugal. Foi este o pretexto para que se organizassem umas sessões de cinema cá por casa, para grande desprazer do meu filho. Eu explico – ele não gosta de nenhum dos filmes. Exposto em tenra idade a alguns filmes Disney, nem todos figuram entre a sua lista de favoritos, recusando-se sempre a lhes dar uma segunda oportunidade. O Pocahontas de Mike Gabriel e Eric Goldberg acabei por visionar somente com a minha filha, perante os seus protestos de que era um filme de meninas (nem o tradicional estigma de lutas com ameríndios associado às brincadeiras de menino o fez mudar de ideias). E o Tarzan de Chris Buck e Kevin Lima viu algo a contragosto, como faz nestas ocasiões. Riu nos momentos certos, ficou ansioso nas sequências de perigo e, apesar de tudo, no final do filme, manteve a sua convicção de que não gosta de Tarzan. A verdade é que também nunca o vi em frente à televisão quando a série do Tarzan é transmitida no canal Disney…

Porque não gosta ele de Tarzan? Lembro-me que, com a sua idade, achava que esta personagem criada por Edgar Rice Burroughs era extremamente cativante e deixava-me encantar com qualquer material que a utilizasse ou ao seu filho Korak, fossem livros, revistas de banda desenhada, filmes ou séries televisivas…

Na verdade, o meu filho tem alguma resistência a filmes ou séries, cujo protagonista seja um adulto. Nem sempre tal acontece, mas é sempre um mistério entender o porquê das exceções. Tarzan e Pocahontas não o são… Já a minha filha gosta dos dois filmes…

Mas em relação ao Tarzan, lembro-me que era uma personagem que o meu pai também apreciara na sua infância. Guardara inclusivamente um livro que, infelizmente, jamais consegui localizar. Presumo que era a história original de Burroughs numa antiga tradução e edição portuguesa.

As associações de ideias têm destas coisas e lembrei-me dele me contar como caminhava todas as manhãs 10 quilómetros para se deslocar ao liceu. Somente quem não está atento, não se apercebe de como o contexto em que vivemos se altera profundamente década após década… Pois eu também fiz cerca de 35 quilómetros para ver o Tarzan no cinema e igual distância para voltar… mas de carro! Em 2000, vivia em Portimão e apenas existiam as (poucas) salas do atual Centro Comercial Continente Portimão – felizmente, com um filme fora do circuito comercial a ser exibido numa noite de dia útil. O Algarcine ainda estava em construção…Pelo que, por vezes, nas noites invernosas algarvias, houve vezes que eu e a minha esposa nos conduzimos ao Cine Estúdio Praia da Luz para ver um ou outro filme que ainda não tivéssemos conseguido assistir no grande écran. O Tarzan da Disney foi um deles…

NPS

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