A partida das coisas selvagens

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Maurice Sendak faleceu no passado dia 8 de maio. E, à hora da sua morte, a influência da sua obra estava na minha mesa de cabeceira. Na verdade, tenho de confessar que o meu primeiro contacto com Sendak já tinha ocorrido por intermédia obra. Refiro-me ao bonito filme “O Sítio das Coisas Selvagens” de Spike Jonze. Foi o suficiente para que quisesse ler o livro ilustrado infantil em que foi baseado, em português denominado “Onde Vivem os Monstros”, escrito e ilustrado por Sendak em 1963. Apesar de na altura da sua publicação, a temática e as ilustrações terem sido recebidos com alguma apreensão por parte dos pais, o livro é um best seller mundial. No nosso país, editado pela kalandraka,  foi inclusivamente recomendando pelo Plano Nacional de Leitura (PNL) para o 1º ano de escolaridade.

Se o filme de Jonze divergia obrigatoriamente do original, o videojogo baseado na adaptação ao grande écran, desenvolvido pela Griptonite Games e editado pela Warner Bros., tinha também direito a uma grande divergência e, apesar de ter recebido críticas medianas pela imprensa especializada, proporcionou bons momentos familiares com o meu filho.

E divergência parece ser a palavra-chave. O autor do livro baseado no filme, Dave Eggers, confessa que o livro acabou por assumir vida própria, transformando-se num produto híbrido entre o original de Sendak, a adaptação de Jonze e a visão do próprio Eggers. Publicado pela Quetzal, o livro inspirado num filme inspirado num livro, foi também recomendado pelo PNL, desta vez para o 3º ciclo de escolaridade.

Max é um rapaz que está a crescer e a entrar num mundo que não consegue controlar. O pai foi-se embora; a mãe passa cada vez mais tempo com o namorado; e a irmã está a chegar à adolescência. Ele, por seu turno, refugia-se no interior do seu fato de lobo e entrega-se aos acessos de braveza de que é frequentemente acometido. Um dia, fugindo de uma discussão em casa, encontra um barco e, navegando nele, descobre uma ilha habitada por criaturas selvagens e monstruosas, de que se tornará rei.

Era este o livro que estava na minha mesa de cabeceira quando Sendak partiu… Resta-nos uivar…

NPS

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